terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dedicatória à espontaneidade morta.

Esse escrito é pra todos os escritos horríveis que escrevi sem rasurar.
Pra quando a vida era feita de momentos vividos e não de erros corrigidos.
Pra sexualidade virgem dos meus quatorze anos.
Que não conhecia o orgasmo mas que gozava,
Gozava em cada póro e milimtro de pele do meu corpo
A ansiedade por qualquer toque.
Orgasmos sim! Múltiplos!
A cada rubor vermelho dos bons costumes sendo quebrados
Tão tímida e lentamente e com culpa por ninguém se interessar.
Pros dias pra dormir por sono de dormir,
pras noites sem dormir por insônia de não dormir.
Pros dias e noites acordados e lavados por lágrimas
De tristezas pra chorar.
Esse escrito é pra quem um dia eu fui
E odiei cada momento de ser.
Pra pessoa que hoje eu sou que quem eu fui
Odiaria conhecer.
E agora, o vermelho cresceu e não é mais rubor.
Os bons costumes são só dos outros,
E as noites não dormidas são tentando escrever.
Mas rasuras, rasuras limpas, rasuras editoras, rasuras certas,
Elas não me permitem gostar.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Texto-Desabafo (sem nenhuma relevância poética)

E mais um dia se passa,
Eu não consigo definir se foi bom ou ruim.
Com certeza foi bom e ruim.
A pior parte é não saber
Até quando essa “incompletude”
Vai se ressaltar aos bons momentos.
Dias melhores virão, isso é certo.
Mas pessoas melhores,
Perco as esperanças.
Essa depressão diária é cotidiana.
E eu não afirmo a mesma coisa duas vezes.
Afirmo apenas que todos os dias
Em que vejo sorrisos forçados,
São todos os dias.
Desanimo-me, mais que poderia.
Mas menos do que gostaria.
Se me matasse de lucidez,
Morreria rainha.
Até onde é ego e até onde é lucidez,
Eu já não sei responder.
Só sei que algo ainda me prende às pessoas.
Antes pensava que era a vontade de curá-las.
Agora já questiono se é merecido
E se é possível.
Enquanto eu luto para odiá-las,
E diminuir o meu ego,
Elas riem de sua própria escravidão.
E eu delas.
Com uma culpa absurdamente minha,
Que quase me faz chorar.
É ai que agradeço a Deus,
Mesmo sabendo que eu o inventei,
Agradeço ao destino,
Mesmo sabendo que sou eu quem o faz,
Por terem me emprestado amigos.
Eu não poderia consegui-los sozinha.
Minha dificuldade está em aceitar
Que eu dou asas à minha própria cobra.
E que todos os meus amigos,
Estão prestes a descobrir isso,
E eu não posso fazer nada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Solidão

Momento deprimente e bonito
É todo meu nesse instante.
Nem tão deprimente, muito menos bonito.
Ordinário, como eu.
Porque amanhã acordarei feliz
Mais do que feliz
Amanhã acordarei.
Com dor no pulmão,
Na cabeça e nas pernas.
Dor que me faz gemer!
Na maior parte do tempo de prazer
Pela companhia.
Dor, que comparada ao orgasmo,
Faz-me gemer absurdos.
Sinto-me composta por fumaça agora.
Um dia eu evaporo...

sábado, 1 de dezembro de 2007

Agradecimento parte 2

Agradeço o conforto,
O estômago,
O alfabeto e o evangelho.
E peço perdão pela decepção.
De o conforto fadigar conforto,
Do estomago cheio me inspirar coragem,
De o alfabeto limpar minha garganta
E de o evangelho ser minha primeira crítica, quando ainda criança.
Ah, não me esqueço nunca da televisão.
Ela acelera meu sono,
Que nunca foi o mais tranqüilo.
Obrigada por tanta tecnologia,
Ela me ensinou que botões podem servir de cordas vocais e megafones.
Agradeço-te burguesia,
Por sua afasia.
E pelas lentes de contato.
Agora te olho sem sinais vitais,
Sem os meus sinais.

Nayra Matos

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agradecimento – Parte 1

Obrigada por amortecer minha queda,
Por evitar minha desgraça,
Por poupar meu sofrimento,
Por tornar minha existência indolor.
Ensinou-me a ter consciência e gratidão,
E eu aprendi.
Satisfaça-se com o crédito
Pois ele é todo seu.
E a minha gratidão, também é sua.
Obrigada pelo sarcasmo,
Porque se consigo hoje te agradar,
É porque me ensinou a mentir.
Peço perdão pelo cinismo,
E pela decepção,
De tornar com ele uma crítica
Sobre tudo o que me ensinou.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Vida não é poesia

Não existe poesia na vida.
Nos cumprimentos, nas despedidas.
Existe obrigação, educação, tédio.
O tédio infiltrado na poesia.
Sempre suga, sempre o natural.
Alguns “bom dia” e nada real.
E a gente passa fome do profundo.
E a gente sente frio.
E o calor desaparece dentro de olhos e bocas.
E a gente mata todos os poetas,
Em uma chacina educada.
Tão educada e vazia,
Que os poetas sobrevivem à morte,
A morte real.
E morrem pro imoral.
Uma chacina quase suicida,
Quando o real passa a ser ilusão.
E eles carregam suas armas,
Com sua única munição:
O assassinato de um ser imortal.

domingo, 12 de agosto de 2007

Real Contradição

O mais triste é saber que não sentirei falta.
O mais triste é saber que a falta que sentirei,
Será vaga e rasa.
O mais triste é saber que poucos saberão como sou.
Tão poucos me conheceram,
Nessa contradição
E eu não perdi ninguém.
Meu pessimismo é natural
Espontâneo quando ponho os pés no chão
Piso firme, mas não afundo.
Quando todos dizem o contrário.
Eu não flutuo sempre,
Minhas asas estão nos meus pés
Um vôo a cada passo num solo
Tão real que viajo em ilusão
Ilusão tão breve quanto uma vida.
O tempo não espera o perdão
E a vida não espera o sentimento.
Ninguém vive hoje por amanha
Por mais que assim pense.
Essa é a única ilusão,
Pensar em amor,
Pensando em amanhã.
Quando o único caminho da felicidade
É saber não desejá-la.